Vítor Alves

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Nome

Vítor Manuel Rodrigues Alves (1935-2011)

Biografia

Vítor Alves nasceu a 30 de Setembro de 1935, em Mafra. Assentou praça na Escola do Exército, em 1954, na arma de Infantaria. Percorreu os várias postos da hierarquia militar do Exército, desde Alferes até Tenente-Coronel, entre os anos de 1958 e 1978. Realizou várias comissões de serviço militar na Guerra Colonial portuguesa, tanto em Angola como em Moçambique. Casou-se em Lourenço Marques em 1962 com Maria Teresa Gomes Ferreira de Almeida, filha de Eugénio Ferreira de Almeida (oficial da Marinha de Guerra Portuguesa, chegando a desempenhar o papel de chefe do Estado-Maior da Armada entre 1973-1974) e de Ermelinda Teixeira Gomes.

Vítor Alves pertenceu ao grupo dos Capitães de Abril. Foi membro da Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas e um dos mentores/redactores do seu programa que considerava vital para o triunfo da Revolução. Desempenhou funções como ministro sem pasta nos II e III Governos Provisórios chefiados por Vasco Gonçalves. Integrou o Conselho dos Vinte (1974) que reunia todos os militares com responsabilidades governativas ou politico-militares no pós-28 de setembro) e depois o sucessor Conselho da Revolução, desempenhando funções de porta-voz entre 1979-1982.

Um dos apelidados “Capitães de Abril” foi membro da Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas e um dos redactores do seu programa, que negociou com a Junta de Salvação Nacional logo após a Revolução dos Cravos e que sempre defendeu com intransigência. No mesmo ano seria empossado ministro sem pasta dos II e III Governos Provisórios, de Vasco Gonçalves, onde tinha responsabilidades nas áreas da Defesa Nacional e Comunicação Social.

Com a queda do III Governo Provisório a 26 de Março de 1975, Vítor Alves afasta-se das tarefas de governação. Em 7 de agosto de 1975, publica um documento que ficou conhecido como “Documento dos Nove”, (em conjunto com Melo Antunes, Vasco Lourenço, Pezarat Correia, Franco Charais, Canto e Castro, Costa Neves, Sousa e Castro e Vítor Crespo) tendo em vista a clarificação de posições políticas e ideológicas mais moderadas dentro e fora do Movimento das Forças Armadas e opondo-se claramente à visão política do então grupo “Aliança Povo/MFA”.

Vítor Alves só voltará ao Governo um mês depois, agora abraçando a pasta da Educação e Investigação Científica do VI Governo Provisório, chefiado por Pinheiro de Azevedo (Setembro de 1975 e Junho de 1976). Nessa qualidade foi o responsável pela criação das Universidades dos Açores e da Madeira, bem como da Universidade Aberta com a aposta na Educação de Adultos. Fomentou também a defesa do ensino da língua portuguesa, junto de várias embaixadas de Portugal na Europa. Sucedeu-lhe na pasta Mário Sottomayor Cardia, já como ministro do I Governo Constitucional (a partir de 23 de Julho de 1976) liderado por Mário Soares. Pouco tempo antes, Vítor Alves esteve particularmente envolvido na campanha de promoção da candidatura de Ramalho Eanes à Presidência da República que acabaria por sair vencedora desse acto eleitoral ocorrido a 27 de Junho de 1976.

Foi um dos fundadores da Associação 25 de Abril (22 de Outubro de 1982) em conjunto com Vasco Lourenço, Vítor Crespo, Costa Neves e outros militares dos três ramos das Forças Armadas. Desempenhou o papel de Presidente do Conselho da Presidência desta Associação, empenhando-se sempre nas suas actividades como era seu apanágio.

Esteve ligado à criação de um partido político em torno de Ramalho Eanes (1984), herdeiro do ideário do Grupo dos Nove, designado Partido Renovador Democrático (PRD), a par de José Medeiros Ferreira (ex-PS) e Joaquim Magalhães Mota (ex-PSD) entre outros. A presidência coube a Hermínio Martinho, eleito em Convenção.

Seria candidato pelo PRD por Beja às eleições legislativas de 1985 (no final deste ano ainda se pensou em Vítor Alves como candidato à Câmara Municipal de Lisboa) e também às eleições europeias de 1987.

Recebeu em Portugal vários louvores e condecorações, entre os quais a Medalha de Mérito Militar, a Medalha de Comportamento Exemplar de Prata e a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1983).

Vítor Alves veio a falecer a 9 de Janeiro de 2011, em Lisboa.

Vídeos

Um ano decorrido sobre o 25 de Abril de 1974, o brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho, o capitão Vasco Lourenço e o major Vítor Alves, protagonistas da Revolução dos Cravos, recordam as razões que estiveram na origem do Movimento dos Capitães, e os principais acontecimentos que acabaram por conduzir à criação do MFA, e à revolta militar que ditou a queda do regime ditatorial do Estado Novo [RTP].

Major Vítor Alves, ministro da Educação e Investigação Científica, refere os objetivos da visita da comitiva governamental ao arquipélago da Madeira, com destaque para os aspetos relacionados com a implementação da autonomia no setor da educação e ensino no arquipélago e a criação do Instituto Universitário da Madeira. https://arquivos.rtp.pt/conteudos/entrevista-ao-major-vitor-alves

Jornalista António Santos entrevista em estúdio ao Major Vítor Alves, presidente da comissão organizadora das Comemoração do Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, sobre aspetos relacionados com as comemorações que se vão realizar em Portalegre. https://arquivos.rtp.pt/conteudos/entrevista-ao-major-vitor-alves-2

Galeria

01 – Vítor Alves, 1972, Col. Teresa Alves
(reproduzida em Carlos ADEMAR, Vítor Alves, Lisboa, Parsifal, 2015)
02 – Camacho, Vítor Alves, 1975, Col. Teresa Alves
(reproduzida em Carlos ADEMAR, Vítor Alves, Lisboa, Parsifal, 2015)

Bibliografia

Carlos ADEMAR, Vítor Alves – o Homem, o Militar, o Político, Lisboa, Parsifal, 2015.

O ReferencialBoletim da Associação 25 de Abril, n.º 100, Pedro Pezarat CORREIA (dir.), Out-Dez. 2010.

António José TELO, História Contemporânea de Portugal – Do 25 de Abril à Actualidade, vol. I, Barcarena, Ed. Presença, 2007.

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