Jaime Neves

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Nome

Jaime Alberto Gonçalves das Neves (1936-2013)

Biografia

Jaime Neves nasceu em S. Martinho de Anta (Sabrosa) a 28 de Março de 1936. Realizou os estudos liceais em Vila Real. Em 1953, ingressou na Escola do Exército (Amadora) e Academia Militar (Lisboa), onde é colega entre outros de Ramalho Eanes e Melo Antunes. Realizou uma comissão de serviço no antigo Estado Português da Índia entre os anos de 1958 a 1960, nos mesmo anos de Melo Antunes.

Foi depois destacado para África para a Guerra Colonial, onde cumpriu quatro missões: duas em Angola e duas em Moçambique. Tira o Curso de Comandos no Centro de Instrução de Comandos de Luanda. A partir de 1965 assume a direção de várias companhias e divisões de Comandos. Em 1971, Jaime Neves, o Tigre como era então conhecido, assume a direção do Batalhão de Comandos de Montepuez (Cabo Delgado – Moçambique). Foi em Montepuez que se encontrava Jaime Neves quando se deu o Massacre de Wiriyamu (Tete) em Dezembro de 1972, negando ele qualquer envolvimento neste terrível acontecimento, cuja responsabilidade foi imputada ao General Kaúlza de Arriaga.

Jaime Neves irá ainda a Moçambique uma última vez com o firme propósito de impor a rendição de duas Companhias de Comandos insurrectas que, após o fim da guerra em 1974, se recusavam a terminar o combate, continuando a assassinar independentistas mesmo contra as ordens do Exército português.

Durante o Verão Quente de 1975, era ainda Tenente-Coronel graduado em Coronel e chefiava à época o Regimento de Comandos, passando à reserva em 1981. Foi mais tarde promovido a Coronel (1995) e a Major-General (2009), este posto aprovado por todas as chefias de todos os ramos das Forças Armadas e por sugestão dos Generais Ramalho Eanes (ex-Presidente da República) e Rocha Vieira (Chanceler das Antigas Ordens Militares), concedido pelo Presidente da República Cavaco Silva. Esta promoção ficou a dever-se ao papel fulcral de defesa contra o Golpe de 25 de Novembro de 1975 que viria a colocar um fim ao PREC

Aposentado do Exército, Jaime Neves foi um dos fundadores em 1990 de uma empresa de segurança privada (2045), cuja farda se inspira nos modelos militares dos Comandos (boina vermelha e preta).

Recebeu ainda o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito em 1995, pelo Presidente da República Mário Soares.

A promoção teve com base no seu papel durante a defesa contra o Golpe de 25 de Novembro de 1975 que colocou um fim ao Processo Revolucionário em Curso e a consolidação do regime democrático em Portugal. Jaime Neves faleceu a 27 de janeiro de 2013, no Hospital Militar, em Lisboa.

Vídeos

Regimento de Comandos da Amadora, liderados pelo Coronel Jaime Neves, demonstra o seu apoio ao VI Governo Provisório, que suspendeu as suas funções por considerar não existirem condições para o seu exercício. [RTP] – 21/11/1975 https://arquivos.rtp.pt/conteudos/regimento-de-comandos-da-amadora-apoia-o-vi-governo-provisorio/

General Francisco da Costa Gomes, presidente da República visita, acompanhado pelo Almirante José Pinheiro de Azevedo, primeiro ministro, o quartel do Regimento de Comandos onde se reúne com o Tenente-Coronel António Ramalho Eanes, chefe do Estado Maior do Exército, e o Tenente Coronel Jaime Neves, Comandante do Regimento de Comandos da Amadora, sobre a tentativa do golpe militar do 25 de novembro. [RTP] – 29/11/1975 https://arquivos.rtp.pt/conteudos/visita-de-costa-gomes-ao-regimento-de-comandos-na-amadora-2/

Galeria

01 – Jaime Neves, 1974(reproduzida em Correio da Manhã em https://www.cmjornal.pt/domingo/detalhe/uma-vida-sempre-no-limite) [Consultado em Maio de 2024]

02 – Jaime Neves, 1975(© Carlos Lopes – Público; em https://www.publico.pt/2013/01/27/sociedade/noticia/morreu-general-jaime-neves-1582257#&gid=1&pid=1) [Consultado em Maio de 2024]

Bibliografia

Rui Azevedo TEIXEIRA, Jaime Neves – Homem de Guerra e Boémio, Lisboa, Bertrand Editora, 2012.

O Referencial – Boletim da Associação 25 de Abril, n.º 100, Pedro Pezarat CORREIA (dir.), Out-Dez. 2010.

António José TELO, História Contemporânea de Portugal – Do 25 de Abril à Actualidade, vol. I, Barcarena, Ed. Presença, 2007.