Ernesto Melo Antunes

Índice

Nome

Ernesto Melo Antunes (1933-1999)

Biografia

Ernesto Augusto de Melo Antunes nasceu em Lisboa no dia 2 de Outubro de 1933. Entre 1953-1957, frequentou a Escola do Exército (Academia Militar – Lisboa) e depois a Escola Prática de Artilharia (Vendas Novas). Nos finais de 1957, como Alferes, estabelece-se nos Açores, onde atinge o posto de Capitão (1961). A estadia nos Açores, onde contacta com Borges Coutinho e Medeiros Ferreira, afigurou-se fundamental para sua formação política, tendo constituído em 1962, com Manuel Alegre, a Junta de Acção Patriótica, um movimento político de resistência ao regime. Foi também nos Açores que se casou com Catarina de Ataíde Mota, fixou residência e viu nascer dois dos seus filhos (1962-63). É depois mobilizado em três comissões de serviço militar entre os anos de 1963-1968 e 1971-1973 para a Guerra Colonial em Angola (país onde passara parte da infância). Ainda em 1969 ponderou ser candidato pela CDE (Comissão Democrática Eleitoral) às eleições legislativas, as primeiras realizadas após a saída de Salazar da Presidência do Conselho em Setembro de 1968, mas recebeu ordens superiores para retirar a candidatura, o que fez.

Desde o início de Abril de 1973 e de regresso a Portugal vindo de Angola, já no posto de Major, participou activamente no apelidado “Movimento dos Capitães”, responsável pelo 25 de Abril, e foi um dos redactores a par de Vítor Alves do Programa do Movimento das Forças Armadas (O Movimento das Forças Armadas e a Nação).

Na sequência da Revolução de Abril, da qual foi um dos principais estrategas, Melo Antunes desempenhou funções nos vários elencos governativos (Ministro sem Pasta nos II e III e Ministro dos Negócios Estrangeiros nos IV e VI Governos Provisórios). Ao longo destes anos, manteve-se sempre ligado à Comissão Coordenadora do programa do MFA. A sua intervenção foi decisiva pela moderação diplomática que assumiu no PREC, sobretudo a partir do Verão Quente de 1975, quando redigiu o “Documento dos Nove“, publicado a 7 de Agosto de 1975 em vésperas da tomada de posse do V Governo Provisório de Vasco Gonçalves e subscrito entre outros por Vasco Lourenço, Canto e Castro, Vítor Crespo, Costa Neves, Vítor Alves, Franco Charais, Pezarat Correia e Sousa e Castro, todos suspensos do Conselho da Revolução. Teve igual importância na moderação das forças políticas e militares no pós-25 de Novembro.

Esteve ligado ao processo negocial de independência da Guiné-Bissau (1974-76) que fora decretada unilateralmente em 1973. Veio a integrar o Conselho dos Vinte (1974), o Conselho da Revolução (1976-1982), a presidência da Comissão Constitucional deste Conselho, já como Tenente-Coronel até à data da sua extinção. Foi postumamente promovido a Coronel em 2004.

A 24 de Setembro de 1983 recebeu a condecoração da Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. Entre 1986 e 1988, foi Consultor e Subdiretor-geral da UNESCO para a Coordenação Regional e Descentralização.Melo Antunes faleceu a 10 de Agosto de 1999, em Sintra.

Vídeos

O “Documento dos Nove”, ou “Documento Melo Antunes”, um manifesto de nove oficiais das Forças Armadas que expressa preocupações com o rumo da revolução portuguesa de 1974, afetada pela dispersão de “centros de poder” que esvaziam qualquer autoridade. O manifesto defende um socialismo democrático e um Portugal aberto ao mundo [RTP / IHC NOVA/FCSH] https://arquivos.rtp.pt/conteudos/memorias-da-revolucao-o-documento-dos-nove/

Direto do jornalista Gomes Ferreira e entrevista ao Major Ernesto Melo Antunes, ministro dos Negócios Estrangeiros e membro do Conselho da Revolução, sobre a situação político militar do país na sequência dos acontecimentos que constituíram a tentativa do golpe militar de 25 de Novembro. [RTP] https://arquivos.rtp.pt/conteudos/entrevista-a-melo-antunes-2/

Galeria

01 – Ernesto Melo Antunes, 1975, Fotocollectie Anefo (Nationaal Archief – Haia) http://hdl.handle.net/10648/ac690a5a-d0b4-102d-bcf8-003048976d84 ©CC BY 4.0

02 – Augusto Cid, Capa do livro “O Superman”com Ramalho Eanes e Melo Antunes, 1978. ©Augusto Cid

Bibliografia

Rui Camacho DUARTE, Os Militares portugueses na Guiné-Bissau: da Contestação à Descolonização, dissertação de Mestrado em História Moderna e Contemporânea, Lisboa, ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, 2010.

Orlando NEVES (org.), A Revolução em Ruptura – Textos históricos da Revolução, vol. II, Lisboa, Diabril Editora, 1975.

Maria Inácia REZOLA, Melo Antunes – uma Biografia Política, Lisboa, Âncora, 2012.

IDEM, “Um projeto alternativo de esquerda – Melo Antunes, os militares e a transição para a democracia em Portugal”, Ler História, n.º 63, 2012, pp. 33-48.